A SpaceX e a OpenAI estão cada vez mais próximas de abrir o capital, e Wall Street está a acompanhar de perto. Ambas as empresas podem tornar-se algumas das maiores IPOs da história dos EUA, o que levou alguns analistas a soar o alarme sobre o que isso significa para o mercado em geral.
O estratega do Bank of America, Michael Hartnett, estima que adicionar estas duas empresas aos atuais líderes de IA pode empurrar a concentração das principais ações dos EUA de 40% para cerca de 48% do valor total do mercado norte-americano. Isso ultrapassaria a concentração de mercado observada durante a bolha dot-com, a era Nifty Fifty, o boom japonês dos anos 80 e os Roaring Twenties.

O único período com maior concentração foi o boom ferroviário da década de 1880.
O momento é importante. A inflação nos EUA, medida pelo Índice de preços ao consumidor (IPC), subiu 3,8% em abril. Isso coloca-a perto do nível de 4% que o BofA considera um sinal de aviso para as ações.
Historicamente, quando o IPC ultrapassou pela primeira vez os 4%, o S&P 500 perdeu cerca de 4% nos três meses seguintes e quase 7% em seis meses, de acordo com os dados do BofA. O mercado ainda não chegou lá, mas a direção é clara.
Ao mesmo tempo, a rentabilidade dos títulos do Tesouro a 30 anos está a aproximar-se novamente dos 5%. Rendimentos mais elevados tornam mais difícil justificar o pagamento hoje por um crescimento que pode não chegar durante anos. Tanto a SpaceX como a OpenAI exigiriam dos investidores exatamente isso.
A análise do BofA ao historial das grandes IPOs não revela um padrão claro. Algumas desencadearam rallies. Algumas coincidiram com períodos de fraqueza do mercado. Muitas mal mexeram no índice mais amplo. A própria IPO não é um sinal de mercado fiável — as condições em torno dela é que o são.
A SpaceX está a apontar para uma listagem na Nasdaq tão cedo quanto 11 de junho. De acordo com as regras atualizadas da Nasdaq, empresas de muito grande dimensão podem entrar no índice Nasdaq-100 muito mais rapidamente do que antes, se se classificarem entre as maiores empresas elegíveis.
Isso cria um risco específico para o ETF Invesco QQQ, que acompanha o Nasdaq-100. Se a SpaceX se qualificar para inclusão acelerada, os ETFs e fundos de índice precisariam de comprar as ações rapidamente, potencialmente antes de o mercado ter tido tempo de as valorizar adequadamente.
A preocupação não é com o negócio da SpaceX. É com a mecânica. Compras forçadas com um float público limitado poderiam impulsionar a ação a curto prazo. Mas se esse ímpeto de compra diminuir e a ação tiver sido sobrevalorizada na entrada, o QQQ também sentiria o lado negativo.
A SpaceX agravaria ainda o problema de concentração já existente no Nasdaq-100, que já está fortemente ponderado em relação a um grupo restrito de grandes empresas tecnológicas.
Atualmente, os analistas de Wall Street mantêm um consenso de Compra Forte no QQQ, com base em 88 compras e 13 manutenções nos últimos três meses. O preço-alvo médio situa-se em $817,97, implicando uma valorização de cerca de 14% face aos níveis atuais.
Se essa valorização se mantiver pode depender, em parte, do preço a que a IPO da SpaceX é fixado e do comportamento da inflação nos próximos meses.
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